Dois amores

Neste semestre [2015.2] estou pagando uma disciplina chamada Pesquisa em Estudos Linguísticos I. Basicamente, a disciplina te ensina a como desenvolver um projeto de pesquisa — obviamente, direcionado às questões na área Linguística. Logo nas primeiras aulas, quando vi a possibilidade de inserir literatura nessa pesquisa, fiquei muito empolgado! Imediatamente incluí Jane Eyre como objeto do meu estudo, claro. Delimitei um tema dentro do livro para trabalhar e até aí estava tudo certo. Se não fosse pela disciplina em si. Infelizmente fiquei bem desestimulado pela falta de envolvimento da professora e vi meu projeto perdendo a força.

No entanto, hoje foi o dia da salvação! Quando estava numa livraria vi que chegou uma nova edição de Frankenstein, ou o Prometeu Moderno (de Mary Shelley) pela coleção da Penguin Books. Frankenstein é um dos meus livros favoritos e ainda cogitei a possibilidade de trabalhá-lo, mas minha vontade de encaixar Brontë em minha vida acadêmica me cegou totalmente.

Frankenstein me deu um estalo para trabalhar a obra — englobando todos os assuntos que eu quero trabalhar, questões ligadas ao terror, ao sobrenatural e à melancolia; e ainda posso resgatar outros romances que Mary Shelley menciona no livro (como é o caso se Werther, de Goethe, que também gosto muito). E para brindar ainda mais esta felicidade, uma professora nova irá ministrar a disciplina a partir da próxima semana, e é uma professora que eu, particularmente, adoro. Eu simplesmente não poderia estar mais feliz!!!

Ontem à noite mesmo saí fazendo inúmeras pesquisas sobre o livro. E é uma coisa tão boa que eu não encaro como um trabalho (chato). Simplesmente encaro como umas dessas pesquisas que costumo fazer por vontade própria quando quero entender uma obra. Ou seja, não será um fardo, entende?

Adoro Mary Shelley — e os fatos que permeiam sua vida. Adoro Frankenstein. E estou muito contente com o recorte que farei da obra. O título ainda está meio incerto, estou em dúvida dentre

  • Frankenstein, de Mary Shelley: o ethos melancólico no romance de formação;
  • Frankenstein, de Mary Shelley: o ethos melancólico na ontologia romântica.

Já fiz todo um cronograma para este feriadão. Pretendo usar estes cinco dias pra reler a obra, sublinhar tudo que achar que seja proveitoso para análise, ler textos teóricos sobre ethos e ontologia, ler outros corpus que escreveram sobre Frankenstein e é isso. Será só amor!

E agora, pensando melhor, é melhor deixar Jane Eyre e Charlotte Brontë fora da minha graduação. Ao menos por enquanto. É um livro que é muito caro pra mim e tenho medo que estudá-lo, neste momento, estrague um pouco a relação que tenho com Jane Eyre.

A arte de procrastinar

Sofro de uma mal chamado procrastinação. Contagioso. Corrosivo. Autodestrutivo. É uma doença horrível que te consome dia a pós dia. No meu caso, eu passo a semana inteira me programando pra fazer coisas — lê-se ~ responsabilidades —, mas quando é na hora H me bate aquela droga de preguiça e começo a fazer as coisas mais inúteis do mundo, dando a mim mesmo a desculpa de “Ah! Depois faço. Tem tempo”. Só que não tem tempo. Nunca se tem tempo suficiente, porque às vezes empurro as coisas com a barriga até o último prazo. Resultado: faço, mas nunca fica do jeito que eu havia planejado láááá no início, quando tinha me programado.

Procrastinar é um dos piores tipos de autosabotagem que existe. Infelizmente hoje experimentei de novo desse veneno. E quando a dor do ferrão passa, digo que nunca vou repetir isso. Mas você acha mesmo que isso acontece? Eu nunca aprendo. Mas as coisas precisam mudar. Preciso urgentemente de um choque de coragem para fazer algumas.

Semana, acabe logo

Meu Deus! A semana começou hoje e não vejo a hora que ela termine. Quero o quanto antes que a sexta-feira chegue logo! Próxima semana tem feriado, 12 de Outubro, mas minhas expectativas estão passando longe da ideia (feat. Animação) de um feriadão prolongado. Meus pensamentos — e ansiedade — estão todos no dia 13 de Outubro. É o dia que receberei uma notícia boa ou uma notícia ruim.

Caso a notícia seja favorável, dia 13 contarei. Mas se não for, o assunto morre aqui e você jamais saberá do que se trata, rs.

Sobre Davi

Tags

, ,

Recentemente comecei a ler a biografia de Michelangelo – uma vida épica, do autor Martin Gayford, publicada aqui no Brasil pela editora Cosac Naify em setembro de 2015. Ainda estou bem no início da biografia — que não segue uma ordem cronológica da vida do artista —, mas já andei folheando algumas coisas. E algo que me chamou muita atenção foi a criação de Davi.

Essa estátua sempre despertou muito a minha atenção (por ser um cânone de beleza masculina que, particularmente, gosto), mas não fazia ideia das histórias que estavam por trás de sua criação. Uma dela, a que me chamou mais atenção, é que Michelangelo a esculpiu quando tinha 26 anos! No exato momento que escrevi este texto, eu tenho 26 anos e nem de longe fiz algo tão grandioso quanto Davi — não somente pela beleza estética, mas pelo domínio da técnica e pelo peso cultural que a obra tem no mundo da arte.

Na biografia, também descobri que Leonardo Da Vinci fez um esboço “corrigindo” o Davi de Michelangelo, e o recriando em traços como a ideial perfeição de Davi caso o próprio Da Vinci o tivesse feito. Aliás, existia uma rixa entre os dois, e ao que parece Michelangelo nem de longe era flôr que se cheire nesse briga de egos.

Quem é vivo sempre aparece

Infelizmente o blog está constantemente largado. Abandonado. Às vezes eu volto aqui, mudo as coisas — o layout, por exemplo — e digo que tentarei postar mais vezes, mas a verdade é que isso nunca acontece, rs. No entanto, por mais que eu não atualize, nem de longe me passa pela cabeça a ideia de me desfazer deste blog. Vez por outra, quando lembro que ele existe, adoro sair olhando os posts alheios, página por página, ano por ano. É engraçado (e ao mesmo tempo constrangedor) acompanhar essa minha mudança ao longo do tempo; seja pela mudança na própria escrita ou pelos assuntos o qual me interessei em fases diferentes da minha vida. Como disse, é engraçado acompanhar a mudança.

Certamente muita coisa mudou em mim desde o último post. Li livros diferentes. Passei a ouvir músicas diferentes. Escolhi estudas coisas diferentes dentro da Universidade. E [dentro da Universidade] conheci pessoas diferentes. Cada pedacinho de tudo isso esfoliou um pouco a antiga casca até chegar nisto que sou hoje — e que já não serei amanhã.

Espero ter um pouquinho de disposição em escrever aqui um tema que tenho me dedicado a estudar ultimamente: as artes plásticas. Mas, claro, sem jamais deixar de lado a arte literária.

Brontë e o feminisno, parte I

Tags

, , , ,

Todos os romances são, ou deveriam ser, escritos para que tantos os homens quanto as mulheres os leiam, e eu ficaria perplexa ao imaginar como um homem se permitiria escrever algo que pudesse ser realmente ofensivo a uma mulher ou por que uma mulher seria censurada por escrever qualquer coisa que fosse próprio ou pertencente a um homem.

Anne Brontë​, em prefácio de A inquilina de Wildfell Hall, 1848.

após dois anos

Quase dois anos que não posto nada aqui e, nem sei porquê, lembrei que meu blog existia. Antes já havia pensado em desativá-lo (lê-se “excluir”), mas foram coisas demais que postei nele, e tenho pena de me desfazer de tantas fases assim da minha vida. Por falar nisso, dei uma olhada rápida por tudo que já postei nesses quase cinco anos de blog. E, minha nossa, como eu mudei. Como eu falei besteira por aqui, risos. Fiquei meio que impressionado como meus gostos mudaram; minha forma de enxergar alguns assuntos também mudaram muito. (Bastante, na verdade.) Inclusive, o próprio blog foi uma ferramenta que mudou de perfil diversas vezes. Usei ele pra publicar textos, depois pra reproduzir notícias que me chamaram atenção (ó, céus, por que inventei isso?) e também usei pra falar um pouco da minha vida (que, pensando hoje, era o mais sensato).

Ainda não sei se irei voltar com o blog e atualizá-lo regularmente — provavelmente não, sendo bem honesto. Mas deu vontade de postar hoje. Se der vontade de postar amanhã, postarei também. E assim vai… :)

Jane Eyre: dois anos

Tags

, , , ,

Depois que li o único romance de Emily Brontë, e tive uma experiência bastante intensa, fiquei curioso para descobrir o que mais o famoso clã Brontë havia produzido. Então, decidi que minha próxima leitura seria Charlotte Brontë. E em setembro de 2011 eu li Jane Eyre. Quando escolhi este livro, por pura curiosidade, jamais imaginei que aquele seria o meu livro favorito. Que seria um livro que me reconstruiria (em todos os sentidos), que me daria critérios estéticos e que me daria um sentimento de conforto tão grande que, até hoje, jamais senti com livro algum. (Costumo até a dizer que a pequena Jane Eyre não é apenas minha personagem favorita, e sim minha amiga mais íntima.)

Acho que não é segredo para ninguém — incluindo você, possível anônimo, que não conheço, mas que vez ou outra aparece por aqui — que as irmãs Brontë são minhas queridinhas; e que Jane Eyre, assim como a Charlotte, tem um lugar especial. Mas eu simplesmente não podia deixar passar em branco essa data. São dois anos de pequenas (e grandes) conquistas. Dois anos de amizades novas. Dois anos de sonhos. Dois anos . Digo que as Brontë não me trouxeram apenas diversão, conhecimento e conforto, elas também me deram autoconhecimento, coragem e a oportunidade de conhecer muitas outras coisas, de viver muitas possibilidades. Por isso serei sempre, sempre grato.

Série: North & South

Tags

,

Sempre ouvi falar bem de North & South, a minissérie da BBC. Várias pessoas me disseram: “Stênio, logo você, que gosta de Jane Austen, precisa assistir!“. Pois bem, agora eu assisti. E gostei. Gostei muito! Mais do que eu imaginava.

Primeiro, comprei o livro. Prometi a mim que só assistiria a série depois de lê-lo. É uma pena que tive que quebrar a promessa. (Mas não me arrependo. Irei lê-lo depois, na hora certa.) Aconteceu que encontrei o DVD numa promoção, por R$ 24,90, que é metade do preço da maioria das lojas/sites, então não pude deixar passar. E quando coloquei as minhas mãos em North & South, quis assistir no mesmo dia.

Bem, a minissérie é adaptada do romance de Elizabeth Gaskell (que era amiga de Charlotte Brontë), publicado em 1855. Você quer saber se a história é um romance? É um romance sim. Daqueles com casalzinho separado e cheio de drama. Mas… Engana-se quem pensa que North & South é só isso, porque não é! Achei que o romance é mais um pano de fundo para chamar a atenção do público (ou os leitores da época), porque o que importa mesmo é o apelo social da história.

North & South fala de uma Inglaterra dividida em duas realidades; a realidade tranquila e bucólica da região Sul, e a pobreza que a vida rude massacrava a região Norte com a Revolução Industrial. North & South tem um contexto histórico incrível! Esquecendo um pouco o romance dos protagonistas Margaret e Mr. Thorton (que por si só já é uma bela história digna de Jane Austen!), a minissérie traz personagens secundários que dão espaço para discussões (e reflexões) profundas sobre quem nós somos; sobre moral, ética, justiça e respeito. Só é uma pena que esses pontos não tiveram muito destaque. O que me conforta é pensar que o livro deve suprimir isso, já que esse era o grande objetivo de Gaskell, denunciar algumas injustiças sociais; como, por exemplo, a pobreza, a fome e, consecutivamente, o trabalho infantil.

Falando um pouco da minissérie, ela é perfeita! (É BBC, nem precisa falar mais nada.) Toda a produção de arte e ambientação é ótima! E, como sempre, a trilha sonora é um charme a parte! Eu mesmo me apaixonei pela música tema, I’ve Seen Hell. Lindíssima!

Espero que Jane Eyre não fique com ciúmes, mas pretendo rever North & South muitas vezes! E, agora, estou ainda mais ansioso para ler algo de Elizabeth Gaskell! :)